sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Pesca

Ocorre-me muitas vezes enquanto pesco, que serei surpreendido por um grande peixe couraçado a metais de alta tecnologia. Ouvirei dele provavelmente uma explicação de quão importante para o meu futuro será deixar o reino líquido em paz. Ocorre-me isso e outras coisas, sugeridas pelo reflexo do Sol na superfície espelhada, pelos movimentos das brisas nas águas, pelas bolhas de ar que ascendem dos fundos e pela introspecção deixada com descuido. As correntes, os remoinhos, os sorvedouros e os voos rápidos das libélulas também induzem cogitação vadia.
Certo dia, estava eu a pescar num remoto lugar de um rio selvagem com as botas quase dentro de água, quando reparei que a meus pés tinha um peixinho de aquário com o olhar fixado em mim, a fazer bolhinhas e dando voltinhas acrobáticas que acabavam sempre com o peixinho a mirar-me!
Os meus dois companheiros de pescaria tinham-se afastado tanto que nem os via, assim estava ali só, com um peixinho preto de grandes barbatanas e olhos esbugalhados fixados em mim! Aquilo não vinha da minha imaginação, o peixinho estava ali e era avassalador… não era um peixe tecnológico, era um peixinho alienígena e naquele dia não pesquei mais.

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